Como o corte de investimentos, decretado pelo governo Covas, e
o descaso com a manutenção ameaçam sucatear o Metrô de São Paulo,
até há poucos anos um dos mais eficientes do mundo
No dia primeiro de abril de 99, o Diário Oficial do Estado publicou os cortes no orçamento de São Paulo, determinados pelo governador Mário Covas. A medida atingia inclusive as áreas de Educação, Saúde e Habitação, que tiveram seus orçamentos diminuídos em média em 10%. A secretaria dos Transportes Metropolitanos, na qual se inclui o Metrô, não ficou de fora – o setor passou a contar com R$ 400 mil a menos no seu já magro orçamento.
Há cerca de um ano e meio, o processo de manutenção de trens foi alterado. Deixou de ser feita a revisão geral, na qual o trem era desmontado, completamente checado e remontado
Há dez anos, quando a extensão das linhas era menor, a Companhia empregava 10 mil funcionários. Atualmente, o número é de 7.400. Só este mês, deixaram a empresa 730 funcionários, técnicos antigos, principalmente da área de planejamento e obras, em um Plano de Demissão Voluntária promovido pelo Metrô, seguindo orientação do governo Covas de “enxugar” os gastos da empresa.
Apesar de ser impossível dizer por que um disco de freio se soltou da composição causando o acidente, sem dúvida a situação geral da empresa, e em especial da área de manutenção, tem ligação direta com o fato. Vejamos:
O Metrô de São Paulo hoje vive quase que exclusivamente do que arrecada com tarifas. Em agosto deste ano, elas sofreram aumento de 11,5%. Na época, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Cláudio de Senna Frederico, afirmou que ele era devido ao aumento nos custos da empresa provocado pela reposição salarial de 3,88% conquistada na campanha salarial de maio deste ano. Mas um levantamento do Dieese mostra que de janeiro de 95 a julho de 99 as tarifas aumentaram 128,01%, contra 75,52% de reajuste salarial dos metroviários. Na verdade, o que tem elevado os custos do Metrô são os aumentos de tarifas que entram na composição dos gastos (principalmente energia). Além disso, o desemprego galopante reduziu o número de passageiros.
É comum chegarem ao sindicato queixas de usuários sobre bilheterias fechadas, falta de segurança, sucessivas paradas técnicas e trens superlotados
O Sindicato dos Metroviários já apresentou suas denúncias várias vezes ao presidente do Metrô e ao secretário dos Transportes Metropolitanos. Pretende agora lançar uma grande campanha em defesa do Metrô público, da qualidade dos serviços, pelo aumento do investimento no transporte público metropolitano e pela expansão da malha metroviária.